5 poetas francófonos para conhecer nesse Printemps des Poètes

O mês de março também é a ocasião de celebrar Le Printemps des Poètes (A primavera dos poetas), manifestação cultural proposta pelo Ministério da Cultura francês para celebrar a poesia em todas as suas formas. Em sua 23ª edição, o Printemps des poètes desse ano tem como tema “Le Désir”, o desejo, e reúne uma série de eventos em torno da poesia, como leituras, debates, concursos e ateliers, de 13 a 29 de março. Nesse mesmo período, a Aliança Francesa organizou a Semana da Francofonia, que contou com leituras de poesias de Renée Vivien e a experiência musical e poética “Chaise longue, musique et poésie”, que continuam disponíveis no canal YouTube da AF Brasil.

Para celebrar a poesia francófona, nós te convidamos a conhecer 5 poetas francófonos contemporâneos de destaque. Suas obras que envolvem a temática do desejo foram selecionadas para a bibliografia oficial do Printemps des Poètes:

Abdellatif Laâbi

Abdellatif Laâbi é um poeta marroquino nascido em 1942, na cidade de Fes. Sua escrita é impregnada de humanismo e sempre preocupada com a luta por mais justiça e mais liberdade. Enquanto professor de francês em 1966, foi um dos fundadores da publicação Souffles, uma importante revista literária publicada no Marrocos em francês e árabe, e banida em 1972. Por causa de seus escritos e convicções políticas, em 1972 Laâbi foi preso, torturado e sentenciado a 10 anos de prisão por “crimes de opinião” , e depois forçado a se exilar na França em 1985. Ele recebeu o prêmio Goncourt de poesia em 2009 e o Grand Prix de la Francophonie da Académie française em 2011.

Obra indicada: Ce que poète désire, Éditions Rue du monde, 2021 

 

Cécile Coulon

Com apenas 28 anos, Cécile Coulon é uma poetisa e escritora francesa, considerada por parte da mídia francesa como uma das mais promissoras vozes da literatura francófona. Coulon lançou seu primeiro livro aos 16 anos, e desde então tem colecionado prêmios, como o Prix Guillaume Apollinaire de poesia, dado em 2018 à Les Ronces, sua coleção de poesias. Ela é bastante ativa nas redes sociais e publica poemas inéditos em sua página no facebook.

Obra indicada: Les Ronces, Éditions Le Castor Astral, 2016.

 

Daniel Maximin

Daniel Maximin é um romancista, poeta e ensaísta francês nascido em Guadalupe, departamento ultramarino francês no Caribe. Ele se mudou com sua família para França quando tinha 13 anos e estudou na Sorbonne. De 1980 a 1989, foi diretor literário de Présence africaine, editora da revista literária pan-africana de mesmo novo. Em 1989, ele retornou a Guadalupe como diretor regional de assuntos culturais, e ocupou desde então diversos cargos no Ministério da Cultura e instituições culturais. Ele foi premiado diversas vezes por suas obras tanto em prosa quanto poesia, e foi nomeado cavalheiro da Ordem de Artes e Letras e da Ordem da Legião de Honra pelo governo francês.

Obra indicada: L’Invention des désirades, Éditions Points, 2009.

 

Rim Battal

Rim Battal é uma poetisa e jornalista franco-marroquina que se estabeleceu como uma das vozes femininas mais fortes e originais da literatura contemporânea. Sua poesia faz parte de uma tradição poética do íntimo, onde o íntimo é político. Ela capta e transcreve momentos precisos, revelando situações de tensão, social e física, que podem acontecer com mulheres no Marrocos e na França. Desde 2016, ela participa de leituras no evento Bordel de la Poésie, em Paris, e é convidada frequente de festivais literários em todo o mundo. 

Obra indicada: Les Quatrains de l’all inclusive, Éditions Le Castor Astral, 2021.

 

Rodney Saint-Éloi

Rodney Saint-Éloi é um poeta, escritor, ensaísta e editor nascido em Cavaillon, no Haiti. Na Universidade, ele estudou a literatura francófona com foco na história da língua crioula e suas diferentes formas. No Haiti, fundou a editora Mémoire, a revista cultural Cultura e a revista de arte e literatura Boutures. Viajante e conferencista, sua obra  é uma longa jornada por cidades e rostos, e já foi traduzida em diversas línguas. Ele vive desde 2001 em Montréal, no Canadá, onde fundou a editora Mémoire d’encrier que rapidamente se tornou referência em diversidade e literatura mundial. Ele “aproxima os continentes” tanto na sua obra como na sua editora – culturas e imaginários são reunidos e colocados lado-a-lado – e introduz escritores de diferentes origens numa abordagem “de alteridades que trazem futuros e solidariedades”.

Obra indicada: Je suis la fille du baobab brûlé, Mémoire d’encrier, 2015.

 

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